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Coronavírus: impactos no mercado assustam

29 abril 2020

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A esta altura, os impactos que a pandemia do coronavírus está causando na vida dos brasileiros já está sendo sentida em todos os setores da sociedade. Da emergência sanitária do nosso sistema de saúde e dor de quem perdeu familiares, às consequências da queda abrupta da atividade econômica, todos estamos enfrentando a maior crise que o Brasil já passou.

Sob o ponto de vista econômico, a indústria automotiva é uma das que mais sofrem com a paralisação do consumo e produção. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo, cerca de 370 mil funcionários de linhas de produção estão em casa. Os resultados da crise do coronavírus fizeram despencar os emplacamentos da indústria para o nível de março de 2006, de acordo com dados da Anfavea (associação das fabricantes) e da Fenabrave (federação dos distribuidores). Considerando o mercado inteiro (carros, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos), os primeiros 7 dias úteis de abril seguiram a tendência de queda, acumulando média diária de 2.596 emplacamentos, bem distante do pico de 16.490 anotado em um único dia em março, segundo a Fenabrave.

As projeções da Fenauto (representante dos revendedores de veículos) também desmoronaram. O setor espera queda de mais de -90% nas transações em abril em relação ao mesmo mês de 2019.


De acordo com a área de Valuation da KBB Brasil (braço de precificação de veículos da Cox Automotive Brasil), ainda é cedo para identificarmos algum impacto robusto na oscilação de preços de carros novos e usados devido à crise do coronavírus (na próxima edição do CoxPraVocê, nós iremos compartilhar nossas análises de variação de preço de veículos novos e usados). Sob o ponto de vista econômico, esta crise se trata do medo de consumir, uma vez que as famílias não têm a certeza de que conseguirão manter seus níveis de renda ao longo deste período. Este cenário poderia ser frutífero para uma política de redução de preços para estimular o consumo, mas as margens das lojas e concessionárias já estão perto do limite, o que limita esta estratégia. Considerar um movimento de aumento de preços em busca de rentabilidade, por outro lado, pode esbarrar no desafio de conter a inflação futura.

Para uma empresa dedicada à transformação digital, como é a Cox Automotive Brasil, a principal alternativa para que as lojas e concessionárias superem a crise atual reside na digitalização de seus negócios. Nestes tempos de isolamento, está cada vez mais evidente para o consumidor a importância de diminuir deslocamentos para financiar e comprar um veículo ou até mesmo para ir até à loja para fazer um test-drive. Atualmente há soluções que levam o carro de interesse ao consumidor em sua casa. Com isso, percebemos que quem se preparou para a digitalização de processos no passado, hoje está tendo menos prejuízo. O mercado brasileiro precisa se movimentar neste sentido, incluindo todo o setor automotivo (das lojas aos bancos).

Esta transformação da jornada de compra do consumidor começou antes mesmo da pandemia. Estudos do Google apontam queda constante no número de concessionárias visitadas pelo consumidor antes da concretização da compra de um carro, além de identificar um rastro digital com mais de 900 interações antes da tomada de decisão. Tal fenômeno demonstra a relevância de se preocupar com soluções online na cadeia automotiva para amparar este novo comportamento do consumidor.

Apesar da apreensão que a pandemia vem causando no Brasil, acreditamos que nossa recuperação pode ser forte. Dados preliminares da Cox Automotive Inc. nos Estados Unidos mostram que há muita demanda represada neste período de crise, o que pode ser um sinal de que, aqui no Brasil, o comércio de veículos também poderá ser retomado em ritmo acelerado quando o cenário se estabilizar.

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